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Celebrar a vida

10 de abr. de 2018
5 min de leitura

Atualizado: 11 de out.

E se o propósito de viver também estivesse no próprio viver?



Uma inspiração de 2018


"A vida é uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. 

Transforme pequenas coisas em celebração e floresça..." Osho


Reflexão compartilhada originalmente em 2018.


Uma inspiração que continua florescendo


Em 2018, compartilhei essa reflexão porque havia algo nela que me encantava: a possibilidade de transformar os pequenos momentos da vida em celebração.


Hoje, ao revisitá-la, percebo que esse convite continua vivo em mim.


Ao longo dos anos, fui compreendendo que celebrar não depende apenas dos acontecimentos extraordinários, das conquistas ou dos momentos em que tudo parece estar no lugar.


Celebrar também pode ser uma maneira de viver.


De olhar para o cotidiano com mais presença, leveza e entusiasmo.


E, quando penso nisso, uma imagem sempre me vem à mente...


A criança que sabe se encantar


Você já observou uma criança brincando na areia da praia?


Ela corre, pula, se agacha para recolher uma conchinha, se encanta com uma onda que chega aos seus pés e, segundos depois, já está envolvida em outra descoberta.


Não parece preocupada em transformar aquele momento em alguma coisa maior.

Ela simplesmente vive.

E há uma beleza imensa nisso.


Às vezes me pergunto em que momento nós, adultos, começamos a acreditar que a vida precisa estar nos levando a algum lugar para que possamos desfrutá-la.


Como se cada experiência precisasse ter uma finalidade, cada conquista precisasse abrir caminho para outra e cada dia tivesse que produzir algum resultado.


E, sem perceber, vamos transformando a existência numa interminável lista de coisas a resolver.


Mas quem disse que amadurecer significa perder o encantamento?


Aquela criança curiosa, espontânea e encantada com a vida não precisa desaparecer para dar lugar à mulher adulta.


Podemos assumir nossas responsabilidades e continuar nos surpreendendo com a delicadeza de uma flor.


Podemos enfrentar assuntos sérios e ainda rir de nós mesmas.


Podemos trabalhar, cuidar, realizar, fazer planos e, de repente, sentir vontade de dançar pela sala ou saltitar na areia da praia.


Não para voltar a ser criança.

Mas para permitir que o encantamento daquela criança continue vivo na mulher que somos hoje.

 


A vida não começa depois


Quantas vezes nos pegamos pensando:


Quando eu resolver isso, vou ficar mais tranquila.

Quando aquela pessoa mudar, vou conseguir ser feliz.

Quando eu conquistar aquilo, finalmente vou aproveitar a vida.

Quando tudo estiver organizado, vou ter tempo para mim.


E assim vamos adiando a alegria, como se ela dependesse de uma autorização que precisa vir do futuro.


Mas será que a vida começa depois que terminamos todas as nossas tarefas?

Depois que os outros correspondem às nossas expectativas?

Depois que desaparecem os problemas?


A vida está acontecendo agora.


Inclusive enquanto você está lendo esse texto e eu escrevendo essas palavras.


Ou mesmo quando fazemos planos, enfrentamos dificuldades, trabalhamos, cuidamos de quem amamos e aprendemos a lidar com aquilo que não podemos controlar.


E talvez um dos nossos maiores desafios seja justamente este:

Não abandonar a experiência de viver enquanto tentamos organizar a vida.

 


A magia de viver o mesmo dia de um jeito diferente


Uma das cenas de cinema que mais me encantam está no filme Questão de Tempo.


O protagonista, Tim, descobre que possui um dom extraordinário: pode voltar no tempo e reviver acontecimentos de sua própria vida.


Ao longo da história, ele utiliza essa possibilidade de diferentes maneiras. Mas é uma lição compartilhada por seu pai que acaba revelando algo muito mais precioso do que o próprio dom.


A proposta é simples: viver um dia comum e depois voltar para experimentá-lo novamente, prestando mais atenção a cada momento.


Na primeira vez, Tim atravessa os compromissos quase no automático, como tantas vezes fazemos.


Na segunda, vive praticamente os mesmos acontecimentos. Vai ao trabalho, encontra pessoas, enfrenta as situações habituais.


Mas algo mudou.


Dessa vez, ele observa mais, aprecia os pequenos encontros, percebe o humor das situações e se relaciona com as pessoas de maneira mais leve e gentil.


O dia continua sendo um dia comum.


O que se transforma é a maneira como ele o vive.


E é justamente isso que tanto me emociona nessa história.


Porque nós não precisamos de um armário mágico para voltar no tempo.


Podemos, a qualquer instante, perceber que estamos distraídas de nós mesmas e escolher voltar para a experiência que está acontecendo agora.


Talvez a verdadeira magia não esteja em reviver um dia.


Mas em aprender a viver o dia que temos, com mais encantamento, leveza e presença.

 


Onde estou colocando minha energia?


Essa é uma pergunta que gosto de fazer a mim mesma.


Porque percebo que, muitas vezes, não é a ausência de beleza que nos impede de desfrutar a vida.


É o fato de estarmos com nossa atenção em outro lugar.


Podemos estar diante de um lindo pôr do sol e continuar mentalmente presas a uma conversa desagradável.


Podemos compartilhar uma refeição com alguém querido enquanto pensamos em tudo o que ainda precisamos fazer.


Podemos atravessar um dia inteiro esperando que algo mude, sem perceber os pequenos momentos que já estão disponíveis.

E não se trata de nos cobrar por isso.


Nossa mente se ocupa, se preocupa, se distrai. Faz parte da experiência humana.


O convite é outro.

É perceber quando isso acontece.


Observar onde estamos colocando nossa energia.


Reconhecer aquilo que não nos pertence carregar.

Trazer nossa atenção de volta para nós mesmas.

E escolher o próximo movimento.


Esse é um dos caminhos que percorremos no Método VOLTA.


Não para controlar cada acontecimento, nem para nos exigir uma presença perfeita.


Mas para ampliar nossa consciência e reconhecer que podemos ajustar a rota.


Às vezes, esse movimento é resolver algo importante.

Às vezes, é estabelecer um limite.

Às vezes, é descansar.


E, em outras, é simplesmente abrir a janela, respirar profundamente e apreciar a beleza de um novo dia.



Celebrar a vida como ela se apresenta


Celebrar não significa estar alegre o tempo todo.


Há dias de tristeza, de saudade, de cansaço, de silêncio.

Há momentos em que não queremos dançar, cantar ou sorrir.

E tudo bem.


Estar presente também é reconhecer esses momentos sem precisar disfarçá-los com uma felicidade obrigatória.


A leveza que desejo cultivar não é a ausência de dificuldades.


É a possibilidade de não transformar cada dificuldade na totalidade da minha existência.


É reconhecer que posso estar vivendo um desafio e, ainda assim, encontrar um instante de beleza no caminho.


Que posso sentir saudade e também gratidão por uma lembrança.

Que posso ter preocupações e ainda me permitir uma pausa para apreciar o céu.

Que posso acolher minhas emoções sem precisar entregar a elas o comando de todos os meus dias.


Afinal, celebrar a vida não é negar o que dói.

É permitir que a alegria também tenha espaço para existir.

 


O propósito de viver está também no próprio viver


Durante muito tempo, aprendemos a procurar o propósito como se fosse alguma grande missão a descobrir ou realizar.


E acredito que podemos, sim, ter projetos, sonhos e contribuições que dão sentido à nossa caminhada.


Mas gosto de pensar que existe algo anterior a tudo isso.


O próprio viver.


Estar aqui. Experimentar. Sentir. Descobrir. Criar. Amar. Aprender. Compartilhar.


Desfrutar a experiência de existir enquanto construímos nossos caminhos.


Talvez não precisemos transformar cada momento em algo extraordinário.

Talvez possamos reconhecer o extraordinário que já existe em tantos momentos aparentemente comuns.


O aroma de um café.

Uma conversa gostosa.

O riso de uma criança.

Uma flor que se abriu no jardim.

O céu mudando de cor.


Cinco mulheres saltitando na praia ao nascer do sol, celebrando simplesmente a alegria de estarem ali.


E a vida seguindo seu fluxo, oferecendo novas possibilidades de presença a cada instante.


Porque, para mim, o caminho de volta para si também passa por isso:


Deixar de esperar que a vida se torne uma celebração e reconhecer que podemos celebrar a experiência de estar vivas.


E você?


Que pequeno encanto da vida está bem diante dos seus olhos, esperando apenas a sua presença para ser desfrutado?


Cris Lacerda

Essência Inata — um caminho de volta para si 🦋




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