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A Bacia D'àgua

1 de nov. de 2018
3 min de leitura

Atualizado: 9 de out.

A BACIA D'ÁGUA


Era um daqueles dias gostosos de sol, em que tudo parecia convidar a desacelerar.


Duas irmãs aproveitavam a tarde na varanda de casa, entre plantas, flores e a companhia de seus bichinhos.


Enquanto a mais nova observava tranquilamente a água de uma antiga bacia, a irmã mais velha tentava cuidar de algumas plantas.


Até que o gato resolveu se aproximar da bacia dela.

— Ah, não! Você de novo! Sai daí!


Assustado, o bichano se afastou.


Mas, incomodada com a possibilidade de ele voltar, ela decidiu puxar a bacia para mais perto de si.


Foi quando algo curioso aconteceu.


Ao puxá-la, a água se movimentou na direção contrária, afastando-se dela e transbordando pela borda.

— Mas que coisa! — resmungou.


Tentou novamente, puxando com mais força.

E a água, mais uma vez, avançou para o lado oposto.


A irmã mais nova, que acompanhava a cena, sorriu.

— Engraçado, não é? Quanto mais você puxa a bacia, mais a água se afasta de você.


A mais velha parou por um instante.

Olhou para a água que ainda se movimentava e depois para a irmã, que permanecia serena diante de sua própria bacia.

— E você? Como consegue ficar tão tranquila?

— Acho que é porque não estou tentando controlar a água. Estou apenas apreciando seu movimento.


Aquela resposta ficou ecoando.


E talvez exista nessa pequena cena uma metáfora para muito do que fazemos na vida.


Quantas vezes tentamos controlar pessoas, situações e resultados acreditando que, se tudo acontecer como imaginamos, finalmente poderemos ficar tranquilas?


Queremos que o outro compreenda.

Que mude de atitude.

Que faça a escolha que consideramos melhor.

Que a vida siga o caminho que planejamos.


Então insistimos, explicamos, antecipamos problemas, criamos soluções e tentamos movimentar aquilo que nem sempre nos pertence.


Puxamos a bacia. E, sem perceber, nos afastamos da nossa própria água.


Porque, nessa metáfora, a bacia representa o mundo externo: as pessoas, as circunstâncias e tudo aquilo que não podemos comandar.


A água representa nosso poder pessoal.


Nossa energia, nossa essência, nossa capacidade de perceber, escolher, agir e ajustar a rota.


E quanto mais nossa atenção fica presa à tentativa de controlar o que está fora, menos percebemos o que está acontecendo dentro de nós.


Mas soltar a bacia não significa desistir, aceitar qualquer coisa ou abandonar nossas responsabilidades.


Podemos nos abrir para conversar, fazer acordos, estabelecer limites e tomar decisões.


O que não está em nosso poder é determinar como o outro responderá ou garantir que a vida acontecerá exatamente como planejamos.


Existe uma diferença entre agir sobre aquilo que está em nossas mãos e tentar controlar aquilo que não está.


A irmã mais velha voltou a observar a água.


Dessa vez, não tentou encontrar uma maneira mais eficiente de movimentar a bacia.

Simplesmente soltou suas bordas.

A água continuou formando pequenas ondas.


Ela não tentou interrompê-las.

Apenas observou.


E, aos poucos, percebeu que não precisava controlar cada movimento para permitir que a água encontrasse seu próprio fluxo.


Talvez seja assim também com a vida.

Soltar o controle não é uma estratégia para fazer tudo acontecer do nosso jeito.


É reconhecer o que nos pertence movimentar e liberar aquilo que não está sob nosso comando.


É trazer nossa atenção e nossa energia de volta para nós mesmas.


Porque soltar o controle não é perder o poder.

É deixar de desperdiçá-lo tentando exercer poder onde ele nunca esteve.


A irmã mais velha olhou para a mais nova e sorriu.


O gato, que já havia esquecido toda aquela confusão, acomodou-se tranquilamente ao lado delas.


E as duas permaneceram ali, apreciando a tarde, as plantas e o suave movimento da água.


A vida continuava acontecendo.

Sem precisar ser controlada a cada instante.


Talvez nossa essência também precise disso.

Espaço para fluir.


E você?


Quanto da sua energia está na sua própria água e quanto está sendo gasto tentando controlar as bacias à sua volta?


Cris Lacerda

Essência Inata — um caminho de volta para si 🦋


Obs.: Texto originalmente publicado em 2018 e revisitado em 2026, com uma nova abordagem narrativa, preservando sua essência.

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