top of page

Meditar é tudo de bom!

10 de abr. de 2018
6 min de leitura

Atualizado: 10 de out.

Um encontro com o seu sorriso interior 



Meditar é tudo de bom!

Um encontro com o seu sorriso interior


Você já reparou como, muitas vezes, tratamos nosso corpo como se ele fosse algo separado de nós?


Pedimos que aguente mais um pouco, que não adoeça, que não se canse, que acompanhe nossa pressa, nossos compromissos e nossas preocupações.


E, quando ele apresenta algum sinal de desconforto, nem sempre paramos para escutá-lo.


Mas e se, por alguns minutos, experimentássemos fazer diferente?

E se, em vez de exigir alguma coisa do nosso corpo, simplesmente nos aproximássemos dele?


Nosso corpo participa de tudo o que vivemos.


Quando sentimos medo, ele pode se contrair.

Quando estamos preocupadas, podemos perceber mudanças na respiração, na musculatura e até no funcionamento do nosso organismo.

Quando rimos, relaxamos ou nos sentimos seguras, também podemos experimentar sensações diferentes.


Existe uma conversa acontecendo o tempo todo entre nossos pensamentos, emoções e processos corporais.


E nem sempre percebemos essa conversa.


Às vezes, passamos tanto tempo em estado de alerta, tentando prever problemas, evitar sofrimentos ou nos proteger do que pode acontecer, que acabamos nos acostumando a viver como se precisássemos manter nossas barreiras permanentemente erguidas.


Barreiras que, em algum momento, talvez tenham nos ajudado.


Mas será que todas elas ainda são necessárias?


E se, por alguns instantes, pudéssemos baixar a guarda sem precisar abandonar o cuidado conosco?


Não para nos tornarmos vulneráveis a qualquer situação.

Não para ignorarmos nossos limites.

Mas para experimentarmos um espaço de maior confiança e intimidade com nós mesmas.


Imagine que cada parte do seu corpo pudesse participar dessa conversa.


Seus pés, suas pernas, seu coração, seus pulmões, seu rosto.

Até mesmo cada pequena célula que compõe você.


Imagine que, em vez de receber apenas nossas cobranças, tensões e preocupações, todas essas partes pudessem ser acolhidas por um gesto de gentileza.


Um sorriso.

Uma respiração tranquila.

Uma mensagem de reconhecimento.


“Eu vejo você. Eu reconheço tudo o que faz por mim. Podemos caminhar juntas.”


Não precisamos acreditar que nossas células compreendem literalmente essas palavras.


Podemos simplesmente usar essa imagem para direcionar nossa atenção e experimentar uma relação diferente com nosso corpo.


Afinal, se ele é nosso companheiro inseparável nesta experiência de vida, por que não aprender a tratá-lo como um parceiro?


É a partir desse convite que quero compartilhar uma prática de que gosto muito: a Meditação do Sorriso Interior.


Ao contrário do que muitos pensam, meditar é simples, e é tudo de bom! 


E essa é muito simples, delicada e não exige experiência anterior.


Você não precisa esvaziar a mente.

Não precisa sentar-se numa posição especial.

Nem precisa estar feliz para começar.


Basta reservar alguns minutos para si.

E experimentar o que acontece quando, em vez de exigir que seu corpo faça alguma coisa, você lhe oferece um sorriso.


Antes de começar: um convite para baixar as barreiras


Encontre uma posição confortável.


Pode ser sentada na cama, numa cadeira, numa poltrona ou num cantinho de que você goste.


Se preferir, coloque uma música suave. Ou simplesmente desfrute do silêncio.


Feche os olhos, se isso for confortável para você.

Respire naturalmente.


Perceba os pontos de contato do seu corpo com o lugar onde está apoiada.

Observe se há alguma região mais contraída.


Seu rosto. Seus ombros. Seu abdômen. Suas mãos.


Não tente corrigir nada imediatamente. Apenas perceba.


Agora imagine que, ao redor de você, existem algumas barreiras invisíveis.


Talvez sejam preocupações. Medos. Expectativas.

A necessidade de estar sempre pronta para resolver tudo.


Não precisamos brigar com essas barreiras.


Talvez elas tenham surgido como tentativas de proteção.


Mas, neste instante, você pode experimentar deixá-las um pouco mais baixas.


Como quem abre uma janela para permitir a entrada de ar fresco.


Respire.


E, silenciosamente, diga a si mesma:

“Neste momento, posso me permitir estar aqui.”

“Não preciso resolver tudo agora.”

“Posso me aproximar de mim com gentileza.”


E, aos poucos, permita que essa disposição de acolhimento abra espaço para um pequeno sorriso.


Não um sorriso forçado. Apenas a possibilidade de sorrir para si mesma.

É daqui que começa nosso encontro com o Sorriso Interior.


A Meditação do Sorriso Interior

Mantenha os olhos fechados, se estiver confortável.


Respire suavemente.


Agora, imagine que um pequeno sorriso começa a nascer dentro de você.

Observe como se ele brotasse na região do coração.

Como uma sensação delicada de acolhimento, que vai se expandindo aos poucos.


Não é preciso visualizar nada com perfeição.

Apenas imagine, sinta ou permita-se experimentar.


Deixe que esse sorriso chegue ao seu rosto.


Relaxe a testa. A região dos olhos. As bochechas. A mandíbula.

Permita que seus lábios esbocem um sorriso suave, mesmo que quase imperceptível.


Respire.


Imagine agora que esse sorriso não está apenas em seu rosto.

Ele começa a percorrer todo o seu corpo.


Observe como se todo seu corpo começasse a sorrir, cada parte dele.


Sua cabeça está sorrindo, seus olhos, suas orelhas, sua testa e tudo o mais.

Seu cérebro está sorrindo e você sorri para ele.

Sorria junto com seus olhos, que lhe permitem contemplar o mundo.

Junto com seus ouvidos, que acolhem tantos sons e histórias.

Junto com sua garganta, por onde sua voz encontra passagem.


Continue respirando tranquilamente.


Leve agora esse sorriso até seu coração.

Imagine-o recebendo sua atenção e seu carinho.


Sorria para seus pulmões, que acompanham cada inspiração e expiração e sinta ele sorrir junto.


Para seu estômago e seu sistema digestivo, que trabalham diariamente para nutrir seu organismo.


Para seu fígado, seus rins e todos os órgãos que realizam tantas funções, mesmo quando você não está pensando neles.


Não é necessário conhecer cada detalhe do funcionamento do corpo.


Apenas reconheça que existe uma extraordinária atividade acontecendo dentro de você.


Agora imagine esse sorriso percorrendo sua coluna.

Seus ombros, braços, mãos.

Seu abdômen e cada órgão interno.


Cada sistema, glândulas e tudo que compõe seu corpo.

Sinta o sorriso e sorria para seu Quadril.

Suas pernas, joelhos, pés.


Imagine que ele alcança até as menores partes do seu corpo.

Como se cada célula pudesse receber, simbolicamente, uma mensagem de acolhimento.


“Eu reconheço você.”

“Agradeço por tudo o que faz por mim.”

“Quero aprender a cuidar melhor de nós.”


Permaneça alguns instantes nessa experiência.


Talvez você perceba alguma sensação agradável.

Talvez encontre regiões tensas ou desconfortáveis.

Talvez sua mente se distraia.


Tudo bem.


Você não precisa transformar o que sente.

Não precisa fazer o desconforto desaparecer.

Apenas observe e retorne gentilmente à respiração e ao sorriso.


O convite não é exigir que seu corpo responda como você deseja, mas oferecer a ele sua presença.


Se quiser, pode encerrar a prática aqui.


Respire profundamente, abra os olhos no seu tempo e observe como está se sentindo.


Mas, se desejar prolongar esse encontro, podemos acrescentar uma segunda experiência (ou, se preferir, realize-o em outro momento).



Meditação: O Sorriso da Gratidão

Ainda com os olhos fechados, imagine que aquele sorriso interior continua presente.


Agora, traga à sua atenção algo pelo qual você se sente genuinamente grata.


Não precisa ser algo extraordinário.

Talvez seja a possibilidade de respirar.


Um lugar onde descansar.

Um gesto de carinho que recebeu.

Uma experiência que lhe trouxe alegria.

Ou simplesmente estes minutos que escolheu dedicar a si mesma.


Permita que essa lembrança encontre espaço dentro de você.


E, se fizer sentido, repita mentalmente:


Sou grata por este momento que escolhi dedicar a mim.

Sou grata pelo meu corpo, que me acompanha nesta experiência de vida.

Sou grata pelas possibilidades de aprender a cuidar de mim.


Sou grata pelas pessoas com quem compartilho afeto.

Sou grata pelas experiências que me trouxeram até aqui.

Sou grata pela oportunidade de fazer novas escolhas.


Você também pode criar suas próprias frases.


Talvez hoje queira agradecer por algo muito simples.

Talvez queira reconhecer uma conquista.


Ou a coragem de ter atravessado um momento desafiante.


E, se hoje a gratidão não vier espontaneamente, não há problema algum.

Você não precisa inventar um sentimento.


Pode apenas reconhecer:

“Hoje, estou aqui. E isso já merece minha atenção e meu cuidado.”


Permaneça alguns instantes em silêncio.

Perceba sua respiração.


O contato do seu corpo com o lugar onde está.

As sensações que surgem.


E, quando sentir vontade, inspire suavemente e solte o ar.

Abra os olhos no seu tempo.

Observe o ambiente à sua volta.


E leve consigo a possibilidade de retornar a esse sorriso sempre que desejar.

 

Depois da meditação: o que você percebeu?


Antes de seguir com seu dia, experimente se perguntar:


Como estou me sentindo neste momento?

O que percebi em meu corpo que talvez estivesse passando despercebido?


Existe alguma necessidade minha que merece mais atenção?

Que pequeno gesto de cuidado posso escolher para mim hoje?

 

Não é necessário encontrar respostas para todas essas perguntas.


Talvez a prática tenha despertado uma percepção nova.

Talvez tenha sido apenas um momento agradável.


Talvez você não tenha sentido nenhuma diferença especial.

Tudo isso faz parte da experiência.

 

Meditar não é uma competição para alcançar determinado estado de consciência.


É uma oportunidade de cultivar presença, percepção e intimidade consigo mesma.


E quanto mais nos permitimos experimentar, mais podemos descobrir sobre nossa maneira de pensar, sentir e nos relacionar com o próprio corpo.


Afinal, ele não é apenas o veículo que nos conduz pela vida.


É parte viva dessa experiência, e merece nossa atenção, nosso respeito e nossa parceria.


Que tal começar oferecendo a si mesma alguns minutos de presença e um pequeno sorriso?


Cris Lacerda

Essência Inata — um caminho de volta para si 🦋


Obs.: Texto originalmente publicado em 2018 e revisitado em 2026, com uma nova abordagem narrativa, preservando sua essência e prática.

Comentários


bottom of page